quarta-feira, janeiro 31, 2007

FRANCIS A SCHAEFFER E A MÚSICA CRISTÃ NO BRASIL


BASEADO NO LIVRETO:
FRANCIS A SCHAEFFER – ARTE E BÍBLIA

PONTOS DE ALGUNS CAPÍTULOS PARA COMUNICAÇÃO NO CONGRESSO
FRANCIS SCHAEFFER PARA O SÉCULO XX1 - AKET




1. “A ARTE TEM VALOR EM SI MESMA” – mesmo sendo óbvio, muitos cristãos não o reconhecem.

“A arte não é algo que meramente analisamos o valor por causa do seu conteúdo intelectual. É algo para ser desfrutado”.Francis Schaeffer
“A arte tem valor porque a toda obra de arte representa um trabalho criativo e a criatividade tem valor porque Deus é criador. A criatividade tem valor porque Deus é criador”.Francis Schaeffer

“A arte não necessita de justificação e o artista também não...” Hans Rookmaaker.

Apontamentos:
Ø O que você pensa quando come uma torta de chocolate alpino? Aí é que está, você não pensa, você desfruta e se inunda pelo prazer. A arte na vertente da música tem de ser assim! Será que os cristãos brasileiros percebem a música como arte a ser desfrutada e não apenas como momento de Louvor e Adoração?

Ø Onde estão as obras artísticas e o espaço para a arte, particularmente na música feita pelos cristãos no Brasil? Aonde esta a criatividade brasileira? Devemos a partir de Schaeffer instigar e incentivar a criatividade das músicas. Com mais belas harmonias, letras mais teológicas e poéticas e novos caminhos para uma estética diversa e rica! Devemos na prática afirmar estas maravilhosas palavras de Schaeffer e Rookmaaker, de que a arte não precisa ser justificada, tem de ser desfrutada, pois tem valor em si mesma.


2. SOMOS HUMANOS PORQUE PODEMOS E DESEJAMOS CRIAR E FAZER ARTE

“A arte faz parte da condição humana. A criatividade constitui um aspecto de distinção entre humano e não humano”.“A criatividade está intrínseca na nossa condição humana” Francis Schaeffer

Apontamentos:
Ø Se concordarmos com Schaeffer neste ponto então logicamente temos de chegar à conclusão de que a igreja, a mídia e paradoxalmente os chamados “artistas cristãos” da atualidade estão Desumanizando o homem cristão! Sim, desumanizando porque não abre espaço para o novo, o criativo que normalmente é diferente. Nem abrem espaço e muito menos incentivam a criação da música como realmente labor artístico.
Se criar faz parte da humanidade, onde está a obra artística feita por cristãos? Os artistas estão aonde? Será que não estão sucumbidos a uma avalanche de movimentos nada artísticos que visam apenas os cifrões e levar a massa do povo? Sim, porque o que temos ouvido na música cristã em sua esmagadora maioria nada tem de criativo! Cópias, plágios, e infindáveis versões. INTEGRAR A ARTE FAZ DE NÓS SERMOS HUMANOS POR COMPLETO.


3. NEM TODA CRIAÇÃO É UMA ARTE DE QUALIDADE

Apontamentos:
Ø Este ponto é interessante porque o que se tem feito não tem crivo nenhum já que porque é feito por um cristão certamente será bom. A arte não é apadrinhada do cristianismo, como citou Kuyper. Deveria existir um crivo tanto de uma teologia estética, quando de letra/conteúdo para as músicas dos cds que saem e são distribuídos sem nenhum crivo. O único, aliás, que existe é o de vendagem. Se vendeu é porque é bom. Se esta sendo cantado é porque é legal, é de Deus.


4. O DOM DA ARTE (a criatividade), FOI DADO POR DEUS AOS HOMENS.

“O criador repartiu talentos e habilidades entre todos os seres humanos”.“A arte tem valor como criação porque o homem é feita a semelhança de Deus e assim pode... criar”.

Apontamentos
Ø Para Schaeffer a criação é uma coisa boa porque é Dom de um Deus criativo, inventivo. Os cristãos então precisam “descer do cavalo” e parar de pensar que a única música boa é a feita por cristãos... Desculpem-me os irmãos aqui, mas prefiro escutar Garota de Ipanema do Tom Jobim, a escutar “Cachoeira de Poder” da Cassiane.
Ø Existe um orgulho, uma prepotência e uma irracionalidade por parte dos cristãos baseado em um falso pressuposto – tido como espiritual – de existir música santa e profana. O que existe é musica boa e ruim, com letra boa/certa ou ruim/errada.
Ø Deus deu dons aos homens, e a arte foi repartida indistintamente aos homens. Os homens mesmo não salvos, ainda têm valor e a historia da arte está aí dando testemunho disto!


4.1 – “NÃO EXISTE TAL COISA COMO UM ESTILO SANTO E UM ESTILO ÍMPIO”

> Usar o estilo para veicular a mensagem. Neste sentido a música é simplesmente música. É o que foi falado. A música deve ser desfrutada como benção aos homens. Percebendo dentro dela a mensagem.


5. “A ARTE POR SER EXPRESSÃO DA HUMANIDADE ACABA SENDO EXPRESSÃO DE MIM MESMO”
Apontamentos:
Ø A arte mostra a nós o que nós somos. Acaba sendo fruto nosso porque na verdade é feita por irmãos da nossa raça! É nossa expressão, desejos, anseios, sentimentos, visão do mundo, suspiro belo e poético e várias vertentes (pintura, cinema, teatro, musica etc) do que somos.
Ø Qual arte foi desenvolvida na estética da música feita no brasil? A mesma deveria ser observada, estudada, aprendida e usada! É parte de nós brasileiros! Qual brasileiro que não sente um sentimento que não tem como expressar quando escuta uma bossa-nova?... É nossa cara, nosso fruto. E deve ser valorizado, mediado via mídias (independente do tipo) e instigada à produção neste aspecto.


6. A MÚSICA COMO ARTE E OS TEMAS QUE DEVEM SER ABORDADOS
Tema menos:
“O cristianismo e sua arte, podem encontrar o tema menor: o homem está perdido, e vive uma existência anormal”.Francis Schaeffer

Ø O cristianismo e sua arte devem reconhecer este tema, da derrota, da dor, da tragédia da vida, num momento aonde só se canta sobre vitórias e bênçãos... Este aspecto deve ser considerado seriamente pela musica como arte
Ø A apostasia de muitos jovens se dá exatamente por causa de “uma noção de cristianismo otimista e romancista” Francis Schaeffer Músicas como quero te beijar, te tocar, abraçar, Apaixonado... Apaixonado são letras que denotam muito bem este evangelho romântico. Ou como eu diria: evangelho de cinema que enquanto você esta na secção se envolve e até chora... Mas depois quando sai...

Tema maior: a arte deve veicular o otimismo da resposta a todo este caos. O resgate integral do homem, em toda a sua integralidade. “O artista e arte deve expressar o amor pelo mundo dando a resposta em uma cosmovisão cristã integral e madura”.


7. “A ARTE CRISTÃ NÃO TEM QUE NECESSARIAMENTE SER SEMPRE RELIGIOSA”.
“A criação de Deus – as montanhas, as árvores, os pássaros e seus cânticos, o homem a mulher e seu amor mútuo – representa um tema para arte não especificamente religiosa” Francis Schaeffer.

Ø Ele cita o livro de cantares como exemplo disto. Já posso imaginar se Salomão ouvisse Garota de Ipanema do Tom Jobim... Com certeza ele cantaria para a Sunamita... Rs...
Ø Vale a pena que o homem se recreie na criação de Deus e em toda a sua esfera humana e do universo.
Ø O cristianismo não é assunto só de salvação –

Estes apontamentos são necessários para repensarmos o evangelho que tem sido pregado. Dualista de céu bom e terra má que será destruída. Assim tudo criado passa a não Ter valor... E é fácil de se ver isto na música... Quando rola uma música entre homem e mulher... É aquela letra mais espiritual possível.
Musica da terra, sobre a nossa terra. Pouquíssimos fazem, e os que fazem, não conseguem espaço porque a mídia e a igreja não esta preocupada com este mundo.

“A arte cristã é a expressão da totalidade da vida da pessoa completa; é o homem total, totalmente considerado. O cristão tem de expressar em sua arte a totalidade da vida” Francis Schaeffer.

A música como arte tem de ser repensada em todas as suas vertentes. Onde está a música instrumental. A orquestra, o som da periferia. Os batuques? Tambores?

O porque do cristianismo e os artistas cristãos estarem produzindo tão pouca arte para Schaeffer é:
“Não temos produzido arte cristã porque temos esquecido muito do que o cristianismo afirma acerca da arte e da criação de Deus”.Francis Schaeffer


8. A MÚSICA NOSSA DE CADA DIA... (nada nada artística...).
Breve panorama

David Quilam, Cirilo, Fernandinho, e outros: pop-rock com letras pequenas e de pouco conteúdo teológico, de 3 a 5 acordes... Pobreza de harmonia, fora melodias repetitivas e além disto tudo uma repetição às vezes de 30, 40 minutos da mesma coisa (mantra) - tem aderido a este modelo os grupos Asas da Adoração, Filhos do homem, a cantora Nívea Soares – com mudanças perceptíveis de entonação - e Heloísa horta – tudo muito parecido.
Aline Barros: Som de Adoradores
- Muitas versões (3) e um formato importado na produção
- As maiorias das letras são boas. Tenho um, porém com a faixa APAIXONADO.

Comunidades:
- Tem feito muito “sucesso” na mídia, mas o formato continua o mesmo, massificado e não apresenta nossas características e estéticas da nossa musicalidade brasileira.

Fruto dessas comunidades temos: Kleber Lucas (com um início bombástico na carreira solo com o cd Meu maior prazer, Deus cuida de mim, Aos pés da Cruz, Pra valer a pena, Casa de Davi – voltado à cultura judaica – e gravação do cd Propósito com regravação dos maiores sucessos).
- Não apresenta nada de inovador comparado a nossa musicalidade brasileira
- No início as letras eram um pouquinho mais teológicas. Ultimamente...

Ludmila Feber: desenvolve muito de sua teologia da prosperidade, espírita de mapeamento e destruição dos inimigos em suas músicas.
- O formato é o mesmo, e não apresenta nada de inovador.

Diante do trono: teve início expressivo e até certo ponto inovador. Mas sua líder Ana Paula sempre se espelhou nos modelos americanos como Hosana Music e Hillsongs.
- As letras são simples e a musicalidade simples. Muito pouco de brasilidade e até mesmo arte

Nomes como João Alexandre, Nelson Bomilcar, Jorge Redher, Vencedore por Cristo, Gerson Borges, Priscila, Moana, Andre de Oliveira, Rui Feliciano, Estilo de vida, Gláucia Carvalho, Baixo e Voz, Sérgio Pimenta, Carlinhos Veiga, Dalton Bianchi, Jaiminho, Reginaldo Costa, Ivan Nogueira, Ramon Goulart, são apenas alguns nomes dentre tantos artistas que tem tentado trazer uma música mais brasileira, de conteúdo e artística.
Você conhece alguns destes nomes?


9. CAMINHOS

Ø Uma das soluções seria trazer esta comunicação para dentro das igrejas, veiculando estas idéias, seja impressa, ou por fita ou indo mesmo.
Ø A leitura deste livreto por músicos e artistas cristãos que sofrem crise por terem este Dom e não saberem lidar como mesmo (lembra do filme Eduard: Mão de Tesoura?).
Ø Compromisso das igrejas de se engajarem na arte valorizando seus artistas e ensinado-os que arte é trabalho também. É profissão!
Ø Apoio ao trabalho independente e artístico e engajamento cultural da igreja e dos artistas

Abraços e que Deus te abençoe
Pr. Ramon Goulart – ramongoulart@yahoo.com.br
http://www.ramongoulart.blogspot.com/
http://www.teologiaearte.blogspot.com/
Tel – 31 - 3421 – 9800 -
31 - 8891- 5626

Ramon Goulart: é bacharel em teologia com concentração em Missiologia pelo Betel Brasileiro/SP, pós-graduado em Estudos da Bíblia pela FATE-BH. É multinstrumentista, compositor, cantor e produtor, iniciou estudos em Belas artes e faz pesquisas há 4 anos sobre cultura popular brasileira na área da música e literatura. Ë pastor auxiliar dos jovens da I. Batista da Renascença. Estuda também sobre arte e faz pinturas, colagens e desenhos...

www.kuyper.org.br

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