sexta-feira, agosto 24, 2007

PROFETA, MÚSICO OU POETA?


Homenagem ao dia do Artista (24 de agosto)
Por Ramon Goulart


Você chama um profeta em sua casa. Precisa da bênção de Deus em sua vida. No horário marcado a campainha toca e embora o som tenha se esvaído ainda sim você escuta outro som... Parece um violão sendo tocado... Que estranho você pensa. Deve ser algum pedinte...
Ao abrir a porta você se depara com o profeta. Violão sendo dedilhado e um belo sorriso no rosto, antes que você possa pensar em algo diante daquela cena, ele já interpõe seus pensamentos com sua canção:

“Meu coração transborda num belo poema
a minha língua é a pena de um escriba habilidoso
seja eu nas tuas, como eu nas tuas este instrumento...
Faço um concerto contigo em plena praça pública”
Roberto Diamanso – CD Menestrel

E o profeta tange e toca, e mesmo ali na porta a casa toda é inundada pela beleza, pelo carinho e pela profundidade das palavras. Após, isto o profeta se vai, com um sorriso ainda mais gratificante, como se personificasse o que Machado de Assis disse que aquele que faz um bem é mais agraciado do que aquele que o recebe.
Você não acredita. Mas ali estava um profeta. Um artista...

“Esta concepção do artista como profeta deriva-se do modelo bíblico, mas os artistas não eram vistos neste sentido até o período romântico. A principal razão para a mudança foi o livro Lectures on the sacred Poetry of the Hebreus (1753) do teólogo Robert Lowth, que influenciou poetas como William Blake. Uma das conclusões de Lowth era que o termo Nabi em hebraico, traduzido como profeta na Versão Almeida Revista e Atualizada, poderia, de igual modo, significar poeta ou músico. (...)

Os verdadeiros profetas eram pessoas que transmitiam as palavras de Deus ao povo. Expressavam os sentimentos de Deus com relação a uma conduta específica, prediziam as conseqüências da obediência e da desobediência e prenuciavam eventos que aconteceriam tanto em um futuro próximo quanto distante. Nem sempre eram figuras populares.
Este não é o ponto para uma discussão sobre a atualidade do dom da profecia. Mas, verificar como as ações dos profetas sugerem possibilidades para os artistas. Como os artistas, eles parecem ter existido à margem da sociedade. Talvez por não estarem no centro das atenções eram capazes de manter uma perspectiva mais bem orientada. Há também uma relação próxima entre a música e a profecia, quase como se a interpretação musical preparasse a mente para receber a mensagem de Deus. O “grupo de profetas” que se encontrou com Saul em Gibeá toca liras, tambores, flautas e harpas (I Samuel 10:5).
Na voz dos profetas podemos ouvir certa raiva e condenação que nos lembra a música de protesto da década de 60, o punk rock da década de 70 e o rap da década e 90. Essa música forçava a sociedade a encarar fatos desagradáveis sobre seu comportamento. (...)
Além de falar, cantar e tocar instrumentos musicais, os profetas muitas vezes realizavam atos estranhos cujo objetivo era provocar e surpreender. Ezequiel deitou-se de lado por um ano. Em outra ocasião, raspou a cabeça. Jeremias escondia sua roupa íntima em uma fenda até que ela apodrecesse e depois a exibia como uma ilustração de como Deus via o orgulho de Israel. Aias rasgou sua capa em doze pedaços. (...)

O que precisamos hoje é trabalhar com afinco e desenvolver novos conhecimentos que nos preparem para nossa arte e nossa época”. Cristianismo Criativo? Steven Turner, W4 Editora.

Após de relance se concientizar de tudo o que tinha pensado (profetas, músicos, poetas, sua ligação, função, etc), ali mesmo na porta parado como você estava, você ainda ouve...
E vê de longe que o profeta já estava a cantar, e seus versos a entoar/entornar, em outra casa, outro lar...

E você diz em voz alta fechando a porta após si mesmo:
profeta, músico o poeta: eles são e podem ser o mesmo!

terça-feira, agosto 21, 2007

Teologia e Artes na Revista Enfoque



A edição de agosto da revista Enfoque Gospel traz a matéria de capa e a seção de entrevistas baseadas no livro Cristianismo Criativo? de Steve Turner, publicado pela W4 Editora.


Turner estudou em L'Abri, com Francis Scheaffer e, como não poderia ser diferente, tem sua visão sobre a relação artes X espiritualidade grandemente influenciada por Scheaffer e Hookmaker.


Embora a matéria não tenha a profundidade de um artigo acadêmico (é claro!) é interessante verificar que a questão da existência ou não da dicotomia secular X sacro está sendo discutida de forma mais incisiva no seio da Igreja. Será que isso tem a ver com o movimento da Igreja Emergente, liderado por Brian McLaren?


Acho interessante você ler a matéria e interagir com a revista, através do blog da Enfoque.


Quem quiser conhecer mais sobre o livro ou mesmo adquiri-lo, clique aqui.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Novo livro de C.S. Lewis nas telas

Cartas de um diabo a seu aprendiz sai em 2008

O catecismo está só começando. Depois de As Crônicas de Narnia, outro livro de C.S. Lewis será adaptado às telas. É o igualmente cristão Cartas de um diabo a seu aprendiz, nome em português de The Screwtape Letters, romance de 1942.

Ao contrário de Narnia, que alegoriza abertamente passagens do Calvário, as Cartas recorrem à ironia. Nelas, um demônio experiente, Screwtape (em português, Fitafuso), ensina a seu sobrinho aprendiz as táticas para minar a fé dos humanos e promover o pecado. O sobrinho, conhecido por aqui como Vemebile, se chama Wormwood no original - é o nome que o quadrinista Bill Watterson, inspirado em Lewis, deu para a professora nas tirinhas do Calvin.

O filme será produzido, claro, pela mesma Walden Media que leva para o cinema as Crônicas. O lançamento deve ocorrer em 2008, mesmo ano em que estréia a segunda Crônica, Príncipe Caspian.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Religiosidade, sim; Cristo não.

Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido.” (Romanos 9.33b RA) “Geralmente a pessoa não quer se consagrara a Jesus, mas apenas à ‘causa’ que Ele fundou. O Cristo Ressurreto é motivo de ofensa para as mentes educadas na cultura deste século”

Oswald Chambers, teólogo inglês, em seu livro “Tudo Para Ele”, Venda Nova, MG, Ed. Betânia ©1989, transliterado e adaptado por Jairo Larroza, 08ago2007qua