sexta-feira, janeiro 30, 2009

Você só come comida cristã? Foi o que fizeram com a música!


por Augusto Guedes

Todos os dias nós comemos. Na maioria das vezes, conjuntamente bebemos. Certa ocasião, à mesa para uma refeição cotidiana, me veio à mente uma hipótese no mínimo curiosa. Já imaginou se alguém, ao se converter verdadeiramente ao Senhor Jesus, arrependendo-se de tentar viver a vida de forma independente de Deus, fosse encorajado por outrem a comer, a partir de então, apenas comida cristã? Como seria? Em que loja de supermercado ou mini-mercado a encontraria? Em que lanchonete ou restaurante teria para se comer a comida já pronta? Que igreja, ou melhor, empresa, a disporia para degustação promocional nas melhores lojas do ramo, ou a promoveria nas rádios, tvs, revistas, enfim, na mídia em geral? Quais seriam as condições ou parâmetros para que tal recomendação pudesse ser praticada? Afinal de contas, o texto de I Coríntios 10:31, é literal ao dizer: "seja comer, seja beber, ou qualquer outra coisa fazer, tudo seja feito para a glória de Deus". Se comida aparece de forma tão explícita, deve existir aquela mais adequada ou exclusiva para ser ingerida para a glória de Deus. Quem sabe, trata-se de um tipo de comida especial, ou talvez cozida por pessoas especiais, talvez de uma família especial. E por que não levantar a hipótese de um ministério também especial para tal, o ministério sacerdotal da culinária ou,os cozinheiros sacerdotes? Aqueles que através da sua arte culinária unem as pessoas a Deus ou que, por meio do seu serviço, ministram aos outros de forma que o alimento que produzem torna-se cheio de uma unção especial e específica: 'unção da culinária'.

É possível que você até esteja considerando todas as palavras que escrevo. Vamos, então, pensar um pouco mais nessa curiosa hipótese sugerida. Talvez a primeira condição para o reconhecimento de uma comida como cristã fosse a sua composição, o seu conteúdo, os seus ingredientes. Então, quais seriam eles? Que ingredientes seriam os mais adequados ou sagrados? Vegetais, por serem alimento pré-queda do homem e não virem da morte de animais? Animais, porque durante um bom tempo eram oferecidos em sacrifícios? E porq ue não perguntar sobre a possibilidade de todos os feijões, arrozes, carnes, saladas, e tudo o mais, dependendo apenas da forma e quantidade que se ingere? Para alguns, certamente o sal seria presença determinante na conceituação de uma comida cristã, pois a própria Bíblia informa sua importância para que o mundo ganhe sabor. Por outro lado, possivelmente o vinho, apesar de provocar um sabor todo especial, não deveria constar, face seu conteúdo alcoólico - embora, para alguns mais 'bíblicos', esse seria o ideal, pois, questionamentos à parte, simplesmente, é bíblico. Mas nem todos gostam de tais ingredientes. E mais, alguns até gostam, porém, não podem ingeri-los por uma questão de saúde. Fatalmente, determinar alguns ingredientes como comestíveis pelo cristão e outros não seria uma aberração,ou algo simplesmente ilógico. Certamente tal decisão não poderia ser tomada a partir do seu conteúdo.

Mas, como, então, identificar o que significa uma comida cristã? Deixando de pensar em relação à sua composição, pensemos, então, na sua aparência. Certos alimentos não têm uma boa apresentação ou são diretamente relacionados às práticas ou aos povos historicamente apegados ao que não vem de Deus. E, enfim, imagem é algo fundamental, sobretudo quando se está à mesa. Aí eu me pergunto: Comemos ou não com os olhos? É muito mais fácil pagarmos mais caro por um delicioso sanduíche fotografado com muita arte e exposto acima da bateria de caixas de um fast-food famoso, do que simplesmente ingerirmos aquele delicioso pirão gosmento em meio a um ambiente barato e simples, servido numa panela machucada de alumínio e, ainda por cima, queimada no fundo por tantos anos de fogão. Certamente a comida cristã que procuramos teria uma aparência saudável, "santa, separada", e possivelmente um aspecto mais pautado em outra cultura do que na nossa, principalmente se tivéssemos sido evangelizados por pessoas de outras culturas como os missionários trans-culturais. Aliás, essa é uma grande tendência de alguns povos e também grande mal dos brasileiros, que têm uma gastronomia tão boa, como afirma o famoso chefe de cozinha 'Jun Sakamoto', de origem oriental e que se tornou referência na gastronomia a partir de São Paulo e Nova York: "O brasileiro muitas vezes, ao procurar uma boa comida, pensa primeiro na italiana, francesa, portuguesa, chinesa, japonesa, para depois se referir à brasileira."

Fica claro, então, que além do seu conteúdo, também não se pode definir comida cristã a partir da sua aparência. O que fazer? Por que, então, não partirmos para tentar defini-la em função da sua autoria? Quem a está fazendo? Quem é o cozinheiro ou cozinheira? De que mãos nascem essas saborosas, belas, memoráveis e saudáveis refeições, e por que não dizer, banquetes? Se formos avaliar apenas a partir da sua técnica, seríamos tentados a medir a autenticidade possivelmente com base na formação do seu autor. Que cursos gastronômicos ou de nutrição freqüentou? Qual a sua formação acadêmica? Engenharia de alimentos? Estudou em alguma renomada faculdade do ramo? Qual a sua capacitação técnica para desenvolver tais alimentos? Escreve ou lê receitas? Ou será que ele, ou ela, são capazes de criá-las simplesmente - por possuírem um dom específico na área - independente do tempo de fogão? E por falar em tempo de fogão, certamente a experiência poderia também ser um possível parâmetro. Será que tal cozinheiro possui experiência no assunto? Há quanto tempo ele cozinha? Em que restaurantes trabalhou? É profissional da área, independente da sua formação acadêmica? Com quem já fez parcerias? Ou, para quem cozinhou?

Todos esses questionamentos podem até nos ajudar a identificar uma comida muito bem feita, talvez de boa fama, deliciosa de se consumir, e, até, agradável aos olhos. No entanto, jamais os seus ingredientes, a sua aparência, ou a técnica, a experiência e a capacitação natural do seu autor para desenvolvê-la podem defini-la ou não como uma comida cristã. É óbvio que não existe uma comida cristã. Pode ser que cristão seja aquele que a produz. E você pode até estar achando tudo isso aqui meio ridículo. Mas foi exatamente o que fizeram com a nossa música chama de "cristã". Releia o artigo, substituindo a palavra "comida" por "música", e com algumas pequenas adequações, e constate tal realidade.
Que o Senhor, Pai da Luzes e das Artes, Criador Criativo em tudo, abençoe você ricamente!

Para quem não ler: deseja-se criar uma classificação para música como cristã, muitas vezes baseada no seu conteúdo, na sua aparência ou na técnica, experiência ou talento natural do seu compositor, quando na realidade não existe música cristã propriamente dita, mas sim cristãos que fazem músicas!

Augusto Guedes é pastor, empresário, compositor e músico.
Já atuou na Igreja Presbiteriana da Boa Vista, Organização Palavra da Vida NE,
Dókimos e Grupo Musical “Novo Viver” (1973–1986).
Colaborou com a fundação da Igreja Presbiteriana Nova Jerusalém,
foi ministro de adoração e jovens na Igreja Batista Central de Fortaleza,
e mais recentemente compôs o colegiado de pastores da Igreja de Cristo na Aldeota.
Hoje, com ministério bi-vocacionado, exerce atividades profissionais,
e é um dos líderes da Comunidade de Discípulos (igreja nas casas) na mesma cidade.

sábado, janeiro 10, 2009

Livre mesmo

“A trilha da liberdade avança através da verdade, da aceitação, do esforço e da determinação; não existe problema que possa se sustentar diante dessa combinação de valores.”
Richard Temple

Se você foge de um problema, ele irá lhe apresentar rapidamente a sua versão ainda pior. Em vez disso, enfrente-o, trabalhe nele e ele não terá forças para anular você. O caminho da liberdade não é através do evitar, do “deixar pra depois” ou do negar. Essa estratégia só adiciona mais problemas aos que você já tem. Apesar de ser doloroso, inconveniente, complicado e às vezes até humilhante, vá em frente. Trate com o problema. Quanto mais cedo você resolver, menos da sua vida será roubado de você! O conflito que você ignora, evita e nega se tornará ainda mais forte. O mal com o qual você lida desaparece. Portanto, qual é o resultado que você prefere? Tome a decisão agora e depois você será livre mesmo, completamente.

“E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.”
João 8.32

Gotas de Encorajamento 404, Originalmente produzido por Nélio DaSilva, encaminhado por Fábio Hertel, fabio@hortifruti.com.br, 29dez2008seg16h59m, adaptado por Jairo Larroza

Arte & Fé Cristã em L'Abri

Caros leitores,

segue abaixo o convite para o Retiro Temático de L'Abri sobre Fé Cristã e Arte, nos dias 16 a 18 de janeiro!


A arte é parte integrante e essencial da vida do ser humano. Seja em expressões artísticas atreladas a aspectos religiosos de tribos primitivas a povos diversos, seja na exibição com o fim puro de desfrute estético em galerias de arte e centros de exibição nos grandes centros urbanos pelo mundo, a arte se manifesta em uma relação intrínseca ao propriamente humano.

Como disse Francis Schaeffer, a arte "é o reflexo da criatividade de Deus, uma evidência de que nós somos feitos à Sua imagem" não necessitando, assim, de justificativas para que seja cultivada de forma consciente em nossas vidas. Porém, como todos os produtos culturais humanos, a arte carrega consigo sentidos e visões presentes na imaginação originária de seu criador, o artista. Estes sentidos, por sua vez, influenciam fortemente a forma de como nós percebemos e nos relacionamos com a realidade, revelando uma dimensão espiritual profunda.

A partir destas constatações, como podemos compreender e desfrutar da arte dentro dos contornos de uma concepção cristã da reallidade? Qual o papel da arte e como esta deveria ser vista dentro do horizonte cultural humano? Existem formas distintas de entender, produzir e desfrutar a arte?

Estas e outras perguntas serão exploradas de forma conjunta por meio de palestras, música, discussões e filmes entre os dias 16/01 e 18/01/09 no Sítio do L'Abri, em Macacos, MG. E você é nosso convidado!